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"White is the new black!" p.1

20 de set. de 2021
2 min de leitura

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Em "A Ideia Construída", Campo Baeza afirmou "Como tão bem dizia Melnikov a propósito da sua casa branca de Moscovo: "Podendo já fazer aquilo que me apetece, supliquei-lhe (à arquitectura) que se despojasse do seu vestido de mármore, retirasse a maquilhagem e se mostrasse como ela própria: despida como uma deusa jovem e graciosa." Como podemos constatar, ao suplicar à arquitetura que se mostre como ela própria, Melnikov pressupõe a existência de um estado "puro" da arquitetura.

O modernismo do século XX nasce a partir da intenção de romper totalmente com o passado e com a ideia de estilos de arquitetura. Nessa época, com o surgimento do betão e o revestimento em estuque, generalizou-se a construção de arquitetura branca, precisamente pelo o que o branco simboliza: neutralidade, abstração e pureza. (Basta pensar em maquetes de arquitetura que, normalmente, são feitas com materiais brancos e lisos, e não são mais que puras abstrações da realidade, uma redução da arquitetura ao seu estado essencial que permite ao arquiteto projetar edifícios e espaços)


(Villa Savoye, Poissy França 1929 | Le Corbusier)


Para além do minimalismo e da redução ao estado "puro" da arquitetura, a utilização do branco também se deve a outros fatores determinantes, tal como a relação entre a luz e o espaço. Campo Baeza evidenciou, precisamente, essa relação, ao referir que o branco "É uma base firme e segura, eficaz para resolver problemas de luz: para apanhá-la, para reflecti-la, para fazê-la incidir, para fazê-la deslizar. E uma vez controlada a luz e iluminados os planos brancos que o definem, o espaço fica dominado. E qual é a magia da arquitectura senão a capacidade de colocar em prodigiosa relação o homem e o espaço através da luz?". Os espaços brancos, uma vez que absorvem e refletem a luz de forma mais suave e consistente, tornam-se em espaços harmoniosos e aparentemente mais amplos.

Na arquitetura contemporânea, onde ainda se fazem sentir as influências do modernismo, conseguimos identificar o fascínio - ou, até mesmo, um certo fetichismo - pelo branco. Para além de, enquanto sociedade, ainda procurarmos valores como o minimalismo, existe um outro fator determinante que, a meu ver, não pode ser esquecido: o facto de vivermos uma geração de consumo visual. Nos últimos anos, com a tecnologia da internet e redes sociais, e a atitude consumista da sociedade, a arquitetura sofreu uma espécie de esteticização excessiva. Isto é, a arquitetura foi reduzida à imagem, ao que é esteticamente apelativo (e admitamos, a arquitetura minimalista branca dá origem a fotografias excelentes), descorando, assim, muitas outras questões diretamente relacionadas, por exemplo, com a qualidade do espaço em si.

Com a excessiva divulgação de arquitetura através de revistas, sites e redes sociais, surge uma espécie de arquitetura "fotogénica", que procura ficar bem nas fotografias, cujo propósito, ou "medidor de sucesso", é baseado na sua apreensão bi-dimensional através da imagem, tornando-se, portanto, limitada nesse aspeto.


(Feed de publicações, no Instagram, do atelier contemporâneo Fran Silvestre Arquitectos)







Bibliografia


-CAMPO BAEZA, Alberto (2008) - A Ideia Construída - trad. de Anabela Costa e Silva, editora Caleidoscópio

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